Mostrando postagens com marcador Três Passos/RS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Três Passos/RS. Mostrar todas as postagens

Três Passos/RS

O uso de qualquer parte desta pesquisa é autorizada, desde que seja referenciada! Valorize a minha pesquisa! Ainda em pesquisa. Última atualização: 23/08/2026
Igreja católica de Três Passos
    A história de Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul, está diretamente relacionada ao processo de ocupação e integração territorial da região do Alto Uruguai. A formação do município ocorreu em diferentes etapas, envolvendo a presença militar do Estado brasileiro, a abertura de caminhos, a instalação de núcleos de povoamento e, posteriormente, a chegada de famílias de imigrantes e descendentes de europeus provenientes de outras áreas de colonização do Rio Grande do Sul.

A Colônia Militar do Alto Uruguai e a ocupação da região

    As origens históricas de Três Passos remontam à segunda metade do século XIX, período em que o Governo Imperial brasileiro procurava ampliar sua presença efetiva na região noroeste do Rio Grande do Sul, especialmente nas áreas próximas ao rio Uruguai e à fronteira com a Argentina. Em 1860, uma comissão de engenheiros foi enviada para abrir uma estrada na região, com a finalidade de estabelecer comunicação e criar condições para a instalação de uma colônia militar. Após aproximadamente três anos de trabalhos, foi aberta uma extensa picada, mas a iniciativa acabou sendo interrompida em razão de questões diplomáticas relacionadas à fronteira brasileira com a Argentina (IBGE, 1959) (clique aqui para ler mais sobre a Colônia Militar do Alto Uruguai).
    O marco mais importante desse processo ocorreu em 1879, quando o Governo Imperial determinou a criação da Colônia Militar do Alto Uruguai. A instalação desse núcleo tinha objetivos estratégicos: garantir a ocupação efetiva do território, proteger a fronteira e estabelecer uma ligação terrestre entre o Alto Uruguai e outras áreas já povoadas do Rio Grande do Sul. Dessa maneira, a ocupação militar constituiu uma das primeiras formas organizadas de presença permanente do Estado brasileiro na região que posteriormente daria origem a Três Passos (TRÊS PASSOS, 2018; IBGE, 1959).
    A região, entretanto, não era desabitada. Antes da expansão da colonização de origem europeia, o noroeste do Rio Grande do Sul era ocupado por diferentes populações indígenas. A expansão das frentes de ocupação, a abertura de estradas e a posterior colonização modificaram profundamente a paisagem e as formas de utilização do território. A transformação da região esteve associada à exploração das matas, à agricultura e à criação de animais, atividades que posteriormente se tornariam fundamentais para a economia local.

O Pouso dos Três Passos e o desenvolvimento do povoado

    Um dos acontecimentos fundamentais para a origem do atual núcleo urbano foi a construção, em 1882, de uma casa de guarda avançada localizada aproximadamente 35 quilômetros ao sul da Colônia Militar do Alto Uruguai. Essa instalação tinha a função de fiscalizar e proteger a chamada Picada Geral, caminho que ligava a colônia militar à região de Palmeira das Missões (TRÊS PASSOS, 2012).
    O local escolhido apresentava uma característica geográfica especialmente favorável: havia três pequenos cursos d'água que forneciam água potável para os homens e para os animais que percorriam a estrada. Por essa razão, o ponto passou a ser conhecido como “Pouso dos Três Passos”. A denominação está, portanto, relacionada às condições naturais encontradas no local e à sua função como ponto de parada para os viajantes que percorriam a antiga estrada.
    A existência de água abundante, associada à fertilidade dos solos e à posição estratégica junto à estrada, favoreceu o crescimento do núcleo. O antigo pouso deixou gradualmente de ser apenas um ponto de descanso e abastecimento para viajantes e passou a constituir um espaço de fixação de moradores e agricultores. Segundo estudos acadêmicos sobre o município, a área passou a receber colonos descendentes de alemães e italianos, muitos deles provenientes das chamadas “colônias velhas” do Rio Grande do Sul (GRAFFITTI, 2004 apud UFRGS, 2013).
    A partir das primeiras décadas do século XX, o processo de ocupação se intensificou. A região passou a receber famílias interessadas na aquisição de terras para agricultura e criação de animais. Esse movimento estava relacionado a um fenômeno mais amplo ocorrido no norte e noroeste do estado: o crescimento populacional das antigas colônias e a necessidade de novas áreas para instalação dos descendentes das famílias de imigrantes.
    De acordo com o IBGE (1959), a partir de aproximadamente 1930 chegaram à região grupos provenientes das antigas colônias italianas e alemãs. Essa migração contribuiu significativamente para a formação social, econômica e cultural de Três Passos. A agricultura familiar tornou-se uma das principais bases do desenvolvimento local, com produção diversificada e criação de animais.
    A colonização também provocou importantes transformações na paisagem. As áreas de mata foram progressivamente convertidas em espaços agrícolas, estradas e áreas de ocupação. Estudos realizados sobre o noroeste do Rio Grande do Sul demonstram que a expansão da agricultura foi responsável por profundas mudanças ambientais e econômicas na região durante a primeira metade do século XX (GERHARDT; ZARTH, 2009).
Monumento dos Três Passos

A formação administrativa e a criação do município

    O crescimento populacional e econômico do núcleo de Três Passos levou à sua transformação em unidade administrativa. Em 20 de janeiro de 1913, foi criado o distrito de Três Passos, subordinado ao município de Palmeira das Missões (IBGE, 1959).
    Durante as décadas seguintes, o distrito continuou a se desenvolver como importante núcleo de ocupação do noroeste gaúcho. O crescimento das atividades agrícolas, o aumento da população e a melhoria das vias de comunicação contribuíram para fortalecer sua importância regional.
    O processo de emancipação ocorreu em um momento particularmente significativo da história brasileira. Em 1944, durante o Estado Novo e em plena Segunda Guerra Mundial, o território de Três Passos foi elevado à categoria de município. Fontes oficiais do município registram a criação em 28 de dezembro de 1944, pelo Decreto-Lei Estadual nº 716, atribuindo-lhe a condição de 92º município do Rio Grande do Sul (TRÊS PASSOS, 2018).
    Existe, contudo, uma particularidade documental que merece ser registrada. O histórico administrativo publicado pelo IBGE informa que a elevação de Três Passos à categoria de município consta do Decreto-Lei Estadual nº 720, de 29 de dezembro de 1944, enquanto o Decreto-Lei nº 716, de 28 de dezembro de 1944, aparece associado à criação de distritos posteriormente incorporados ao novo município. Por outro lado, documentos oficiais do próprio município e outras publicações institucionais atribuem a criação de Três Passos ao Decreto-Lei nº 716. Assim, para trabalhos acadêmicos, recomenda-se mencionar a divergência e dar preferência à documentação legislativa original quando se pretender estabelecer a referência jurídica exata (IBGE, 1959; TRÊS PASSOS, 2018).
    O município foi instalado em 1º de janeiro de 1945, tendo como sede o antigo distrito de Três Passos. Naquele momento, sua área territorial era muito maior do que a atual, abrangendo diversos distritos que posteriormente conquistariam sua emancipação política. O novo município passou a desempenhar importante função administrativa e econômica na região do Alto Uruguai e, posteriormente, na chamada Região Celeiro.
    A criação do município representou, portanto, o resultado de um processo iniciado muitas décadas antes. O caminho que começou com a abertura de picadas e a implantação da Colônia Militar do Alto Uruguai, passou pela criação do Pouso dos Três Passos e pela chegada de agricultores e famílias de origem europeia, culminando na organização político-administrativa do município em 1944.

Considerações finais

    A história de Três Passos é resultado da combinação de fatores estratégicos, geográficos, migratórios e econômicos. A preocupação do Governo Imperial com a ocupação e defesa da fronteira contribuiu para a criação da Colônia Militar do Alto Uruguai em 1879. Poucos anos depois, a construção da guarda avançada e do chamado Pouso dos Três Passos estabeleceu um ponto de referência para viajantes e futuros moradores.
    Ao longo das primeiras décadas do século XX, a região passou por intensa colonização agrícola, recebendo principalmente descendentes de imigrantes alemães e italianos provenientes de outras áreas do Rio Grande do Sul. Essas famílias contribuíram para a formação das comunidades rurais, para o desenvolvimento da agricultura e para a consolidação da identidade cultural local.
    A emancipação política de 1944 consolidou um processo de ocupação territorial iniciado ainda no período imperial. Três Passos passou, então, de um ponto estratégico situado junto a uma antiga estrada para se transformar em município e em importante centro regional. Sua história está, dessa maneira, profundamente vinculada à expansão da fronteira de ocupação do noroeste gaúcho, à agricultura familiar e aos processos migratórios que marcaram a formação do Rio Grande do Sul.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte:
Schneider, Eduardo Daniel. [Nome da publicação] Blog Memórias do Povo Rio-grandense, disponível em: https://eduardodanielschneider.blogspot.com/ Acessado em: [data do acesso]

Valorize esse trabalho!

Referências: 
GERHARDT, Marcos; ZARTH, Paulo Afonso. Colonização, desmatamento e agricultura no noroeste do Rio Grande do Sul. História: Debates e Tendências, Passo Fundo, v. 9, n. 1, p. 1-20, 2009.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Três Passos: Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: IBGE, 1959. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/biblioteca/visualizacao/dtb/riograndedosul/trespassos.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

RIO GRANDE DO SUL. Decreto-Lei nº 720, de 29 de dezembro de 1944. Fixa a divisão administrativa e judiciária do Estado, que vigorará de 1º de janeiro de 1945 a 31 de dezembro de 1948, e dá outras providências. Porto Alegre, 1944. Disponível em: https://leisestaduais.com.br/rs/decreto-lei-n-720-1944-rio-grande-do-sul-fixa-a-divisao-administrativa-e-judiciaria-do-estado-que-vigorara-sem-alteracao-de. Acesso em: 23 ago. 2026.

TRÊS PASSOS (Município). História de Três Passos. Três Passos: Prefeitura Municipal, 2012. Disponível em: https://www.trespassos.rs.gov.br/novo/artigos.php?id=5. Acesso em: 23 ago. 2026.

TRÊS PASSOS (Município). Câmara Municipal de Vereadores. História do município. Três Passos, 2018. Atualizado em 8 ago. 2025. Disponível em: https://www.trespassos.rs.leg.br/institucional/historia-do-municipio-1. Acesso em: 23 ago. 2026.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). [Estudo sobre localização e caracterização do município de Três Passos]. Porto Alegre: UFRGS, 2013. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/87405/000908190.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

A elaboração e organização do texto histórico contou com o auxílio do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI (OPENAI, 2026).

OPENAI. ChatGPT. [S. l.]: OpenAI, 2026. Disponível em: https://chatgpt.com/. Acesso em: 23 ago. 2026.

Caso você tenha qualquer colaboração, ela pode ser enviada para eduardodanielschneider@gmail.com, seu nome será posto como colaborador ao fim da postagem.
Fotos enviadas, caso usadas, serão referenciadas em seu nome.

Pesquise sua ascendência!

Colônia Militar do Alto Uruguai

O uso de qualquer parte desta pesquisa é autorizada, desde que seja referenciada! Valorize a minha pesquisa! Ainda em pesquisa. Última atualização: 23/08/2026

    A história da ocupação territorial do noroeste do Rio Grande do Sul está profundamente relacionada às iniciativas do Governo Imperial brasileiro para estabelecer presença permanente em uma região de fronteira, marcada pela existência de extensas áreas de mata, pela presença de populações indígenas e pela proximidade com os territórios argentino e paraguaio. Nesse contexto, foi criada, no final do século XIX, a Colônia Militar do Alto Uruguai, empreendimento que constituiu um dos principais marcos iniciais da ocupação institucional e da posterior colonização da área onde atualmente se encontram, entre outros municípios, Três Passos e Tiradentes do Sul.

As primeiras iniciativas de ocupação do Alto Uruguai

    Durante o século XIX, o Governo Imperial brasileiro demonstrava preocupação com o controle efetivo das regiões meridionais do território nacional. O Alto Uruguai apresentava importância estratégica por estar situado junto à fronteira internacional e por possuir extensas áreas de terras ainda pouco incorporadas à estrutura administrativa brasileira.
    A preocupação não era exclusivamente militar. A região apresentava importantes recursos naturais, especialmente madeira e ervais, além de terras consideradas apropriadas para atividades agrícolas. A ocupação permanente era, portanto, entendida pelo Estado como uma forma de consolidar a soberania territorial e, simultaneamente, promover o aproveitamento econômico da região.
    Uma das primeiras iniciativas ocorreu por volta de 1860, quando o Governo Imperial enviou uma comissão de engenheiros, dirigida pelo tenente-coronel José Maria Pereira Campos, com a finalidade de abrir uma picada e estudar a possibilidade de implantação de uma colônia militar. Após aproximadamente três anos de trabalhos, foi aberta uma estrada de dezenas de quilômetros em direção ao rio Uruguai. Entretanto, a aproximação da fronteira argentina provocou problemas diplomáticos e a iniciativa acabou sendo interrompida (IBGE, 1959).
    A experiência demonstrou, contudo, a importância estratégica da região e contribuiu para que o governo retomasse posteriormente o projeto de instalação de uma estrutura militar permanente.

A criação da Colônia Militar do Alto Uruguai

    A criação efetiva da Colônia Militar do Alto Uruguai ocorreu em 1879, durante o período imperial. A historiografia local e estudos acadêmicos relacionam sua criação à atuação de lideranças políticas da região de Cruz Alta, especialmente Diniz Dias, Barão de São Jacob, que teria defendido junto ao Governo Imperial a necessidade de ocupação daquela área.
    A colônia foi criada pelo Decreto Imperial nº 7.221, de 15 de março de 1879. Estudos históricos indicam que a instalação ocorreu no final daquele mesmo ano, em 25 de dezembro de 1879, junto ao rio Uruguai, no local denominado Passo Grande ou Salto Grande (BRÜGGEMANN, 2013).
    O empreendimento tinha uma dupla finalidade. De um lado, possuía caráter militar e estratégico, procurando garantir a presença do Estado brasileiro junto à fronteira. De outro, apresentava uma finalidade colonizadora, uma vez que a presença de militares, suas famílias e colonos deveria contribuir para a ocupação permanente do território.
    O próprio estabelecimento da colônia deve ser compreendido dentro da política imperial de criação de colônias militares em áreas de fronteira. O Decreto nº 1.318, de 30 de janeiro de 1854, que regulamentou a Lei de Terras de 1850, já previa a possibilidade de estabelecimento de colônias militares em terras devolutas próximas aos limites do Império com países estrangeiros (BRÜGGEMANN, 2013).
    Dessa forma, a Colônia Militar do Alto Uruguai não surgiu como uma iniciativa isolada. Ela fazia parte de uma política mais ampla do Império brasileiro de transformar áreas de fronteira, até então pouco integradas à administração estatal, em espaços efetivamente ocupados e controlados.

A localização da colônia e a Estrada Geral

    A sede da Colônia Militar foi estabelecida junto à margem esquerda do rio Uruguai, em área que atualmente pertence ao município de Tiradentes do Sul. Essa localização é fundamental para compreender a relação histórica entre a antiga colônia e os municípios atuais.
    A ligação da sede militar com o interior da província era realizada por uma estrada conhecida como Estrada Geral ou Picada Geral, que se estendia desde a região de Campo Novo em direção ao rio Uruguai. A estrada atravessava uma extensa área de mata e tinha importância estratégica tanto para o deslocamento das tropas quanto para a circulação de pessoas e mercadorias.
    Segundo documentos históricos utilizados em estudos municipais, a estrada possuía mais de 70 quilômetros e constituía a principal via de acesso à Colônia Militar. Às suas margens começaram a se estabelecer moradores e colonizadores, dando início a núcleos de ocupação que posteriormente contribuiriam para a formação de diversos municípios da região (ESPERANÇA DO SUL, 2019).
    Assim, a estrada desempenhou um papel tão importante quanto a própria instalação militar. Ela criou um eixo de circulação através do território e permitiu que o espaço situado entre o interior e o rio Uruguai fosse progressivamente ocupado.

A formação do território e a presença de colonos

    Embora a Colônia Militar tivesse origem essencialmente ligada ao Estado e às forças militares, seu funcionamento também dependia da presença de moradores civis. A instalação de famílias e trabalhadores era importante para garantir a produção de alimentos e a manutenção da estrutura local.
    Ao longo da Estrada Geral e nas proximidades da colônia começaram a se estabelecer diferentes grupos populacionais. Documentos municipais mencionam a presença de portugueses, açorianos, alemães, italianos e suecos entre os colonizadores que se instalaram progressivamente na região (ESPERANÇA DO SUL, 2019).
    Esse processo de ocupação alterou gradualmente uma paisagem que anteriormente era caracterizada por grandes extensões de mata. A abertura de áreas para agricultura, a exploração madeireira, a construção de estradas e a instalação de moradias produziram uma transformação significativa do território.
    É importante destacar que a região não era, entretanto, um espaço vazio. Antes da expansão da ocupação colonial e militar, diferentes populações indígenas habitavam o Alto Uruguai. A expansão das frentes de colonização representou também a incorporação de seus territórios aos projetos estatais de ocupação e exploração econômica.

O surgimento do Pouso dos Três Passos

    A influência da Colônia Militar sobre a formação de Três Passos pode ser observada de maneira especialmente clara na construção de uma guarda avançada ao longo da Estrada Geral.
    Em 1882, aproximadamente 35 quilômetros ao sul da Colônia Militar do Alto Uruguai, foi construída uma casa de guarda destinada à fiscalização e proteção da estrada. O local foi escolhido porque apresentava três pequenos cursos d'água, que forneciam água para os soldados, viajantes e animais que percorriam a estrada (TRÊS PASSOS, 2012). O ponto passou a ser conhecido como “Pouso dos Três Passos”.
    A existência de água e a posição estratégica junto à estrada fizeram com que o local adquirisse importância para aqueles que percorriam a região. O pouso deixou gradualmente de funcionar apenas como ponto de parada e passou a atrair moradores.
    Esse núcleo constitui o principal elo histórico entre a Colônia Militar do Alto Uruguai e a atual cidade de Três Passos. O município, portanto, não surgiu diretamente no local da sede da colônia militar, mas a partir de um ponto de apoio criado dentro da área de influência daquela estrutura militar e conectado a ela pela Estrada Geral.
    Segundo o histórico oficial do município, o povoado posteriormente recebeu colonizadores atraídos pela fertilidade do solo, pela disponibilidade de água e pela localização junto às vias de comunicação (TRÊS PASSOS, 2012).

O desenvolvimento da Colônia e as mudanças políticas

    A Colônia Militar do Alto Uruguai enfrentou dificuldades ao longo de sua existência. A região ainda era de difícil acesso e a estrutura administrativa e militar dependia de recursos e comunicações precárias.
    Além das dificuldades naturais, o território foi atingido por acontecimentos políticos e militares que marcaram a história do Rio Grande do Sul. A antiga colônia sofreu impactos de movimentos revolucionários ocorridos no estado, inclusive durante a Revolução Federalista de 1893 e a Revolução de 1924, quando a região foi atravessada por forças revolucionárias (TRÊS PASSOS, 2026). Esses episódios demonstram que a posição estratégica que havia justificado a criação da colônia continuava sendo importante décadas depois.
    Paralelamente, o caráter militar da ocupação foi gradualmente dando lugar a uma estrutura de colonização civil. A expansão da agricultura e a chegada de novos moradores fizeram com que a região se integrasse progressivamente ao sistema administrativo estadual e municipal.

O fim da Colônia Militar e a transformação administrativa

    Um dos momentos fundamentais dessa história ocorreu em 1913, quando a antiga Colônia Militar deixou de estar subordinada à administração federal. Segundo documentação histórica municipal, em janeiro daquele ano a colônia foi extinta como estrutura militar e seu território passou à administração do Estado do Rio Grande do Sul, sendo posteriormente incorporado ao município de Palmeira das Missões (ESPERANÇA DO SUL, 2019).
    A mudança foi significativa. O território que inicialmente havia sido organizado para fins de defesa e ocupação militar passou a ser administrado dentro da estrutura civil do Estado e dos municípios. A antiga sede da colônia transformou-se posteriormente no 5º Distrito de Palmeira das Missões, denominado Alto Uruguai.
    A partir desse momento, intensificou-se a colonização civil. A região passou a receber famílias provenientes de outras áreas do Rio Grande do Sul, especialmente descendentes de imigrantes alemães e italianos. A ocupação agrícola avançou e novos núcleos comunitários foram formados.

Da antiga colônia ao município de Três Passos

    O núcleo do Pouso dos Três Passos tornou-se gradualmente um importante centro de ocupação. O crescimento populacional e econômico levou à criação do distrito de Três Passos em 20 de janeiro de 1913, subordinado inicialmente a Palmeira das Missões (IBGE, 1959). Durante as décadas seguintes, o crescimento da população e da agricultura acelerou a transformação do território.
    A partir aproximadamente de 1930, chegaram à região grupos provenientes das antigas colônias alemãs e italianas do Rio Grande do Sul. Essas famílias buscavam novas terras para estabelecer propriedades agrícolas, fenômeno relacionado ao esgotamento e à elevada densidade populacional das antigas áreas coloniais (IBGE, 1959).
    O antigo núcleo militar, portanto, funcionou como uma espécie de ponto inicial de uma cadeia de ocupação territorial: Colônia Militar do Alto Uruguai → Estrada Geral → Guarda avançada → Pouso dos Três Passos → núcleo de povoamento → distrito → município de Três Passos.
    Em 28 de dezembro de 1944, Três Passos foi elevado à categoria de município. Naquele momento, o território municipal era muito mais extenso do que o atual, abrangendo diversos distritos que posteriormente seriam emancipados.

A relação com Tiradentes do Sul

    A relação histórica com Tiradentes do Sul é ainda mais direta do ponto de vista territorial, pois a antiga sede da Colônia Militar do Alto Uruguai estava situada na área que atualmente integra o município.
    Atualmente, a Vila Centenária do Alto Uruguai, em Tiradentes do Sul, preserva elementos relacionados à antiga ocupação militar, entre eles o antigo quartel militar e a Escadaria Centenária, que conduz em direção ao rio Uruguai. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul reconhece o local como um importante patrimônio histórico e turístico do município (RIO GRANDE DO SUL, 2026).
    Durante o processo de organização territorial posterior à extinção da colônia, a área passou a integrar o município de Palmeira das Missões e, posteriormente, o território de Três Passos.
    No século XX, a área correspondente ao atual Tiradentes do Sul passou a constituir um dos distritos de Três Passos. A divisão administrativa de 1979, por exemplo, registrava Tiradentes entre os distritos do município de Três Passos.
    O processo de emancipação ocorreu no final do século XX. Pela Lei Estadual nº 9.635, de 20 de março de 1992, foram desmembrados de Três Passos os distritos de Tiradentes, Alto Uruguai e Lajeado Bonito, constituindo-se o novo município de Tiradentes do Sul (TRÊS PASSOS, 2026).
    Dessa maneira, pode-se estabelecer uma relação histórica e administrativa bastante clara: Colônia Militar do Alto Uruguai → administração estadual → Palmeira das Missões → Três Passos → emancipação de Tiradentes do Sul.
    É importante, porém, não interpretar essa sequência como se todo o território da antiga Colônia Militar tivesse simplesmente se transformado nos dois municípios. O território original era muito mais amplo e passou por diversas reorganizações administrativas ao longo de mais de um século.

A importância histórica da Colônia Militar

    A importância da Colônia Militar do Alto Uruguai para a história regional ultrapassa sua função original de defesa da fronteira. Sua instalação criou uma estrutura permanente de presença do Estado em uma região anteriormente pouco integrada à administração provincial. A abertura e manutenção de caminhos possibilitou maior circulação entre o interior e o rio Uruguai. A presença militar estimulou a instalação de moradores e estabeleceu pontos de apoio ao longo das estradas.
    Um desses pontos foi justamente o Pouso dos Três Passos, que posteriormente se transformaria no núcleo urbano de Três Passos.
    Ao mesmo tempo, a sede da própria colônia permaneceu como referência territorial no espaço que atualmente pertence a Tiradentes do Sul. Por isso, a memória da antiga Colônia Militar permanece presente nos dois municípios, embora de maneiras distintas.
    Em Tiradentes do Sul, encontram-se os vestígios físicos da antiga sede militar, especialmente na Vila Centenária do Alto Uruguai. Em Três Passos, a herança da colônia manifesta-se principalmente através da história do Pouso dos Três Passos, da antiga estrada e do processo de povoamento que conduziu à formação do núcleo urbano.

Religiosidade

    Pouco se fala da religiosidade do povo da Colônia Militar do Alto Uruguai, sabe-se apenas que a maioria dos militares praticavam a religião católica. 
    Ao observar em minha visita, pude notar claramente uma divisão. Havia um cemitério antigo, que provavelmente nasceu com a colônia, ,itas sepulturas antigas e algumas que já se perderam no tempo. Em contraponto, existe um novo cemitério, utilizado principalmente pelos novos colonos que chegaram para povoar a região, onde é possível observar muitos sobrenomes alemães e italianos. O novo cemitério surgiu com a capela que foi construída na vila.
    Em uma breve conversa com moradores locais, eles me confirmaram essa observação e ainda complementaram que o antigo cemitério também ainda era utilizado por essas famílias tradicionais da origem da colônia. 
Antigo cemitério
Igreja
Salão de festas
Pontos turísticos

    No local ainda podemos observar estruturas originais do começo da colônia, como o antigo quartel militar e a escadaria centenária, que era a ligação original da área onde estava instalada a antiga colônia e o rio Uruguai.
Entrada da Vila
Vista do Rio Uruguai da escadaria
Considerações finais

    A Colônia Militar do Alto Uruguai constitui um dos principais marcos da história territorial do noroeste do Rio Grande do Sul. Criada em 1879 pelo Governo Imperial, sua implantação esteve relacionada à necessidade de afirmar a soberania brasileira em uma região de fronteira, controlar os caminhos que conduziam ao rio Uruguai e promover a ocupação permanente do território.
    A construção da Estrada Geral e de postos de guarda permitiu que a presença estatal ultrapassasse os limites da sede militar. Em 1882, a instalação de uma guarda avançada aproximadamente 35 quilômetros ao sul deu origem ao Pouso dos Três Passos, núcleo que posteriormente se transformaria no município de Três Passos.
    Por outro lado, a antiga sede da Colônia Militar permaneceu como referência territorial na área que hoje integra Tiradentes do Sul. Após o encerramento da administração militar, em 1913, o território passou por sucessivas reorganizações administrativas, até que parte dele integrasse o município de Três Passos e, posteriormente, desse origem a novos municípios.
    Assim, a história de Três Passos e Tiradentes do Sul possui uma origem territorial comum. A Colônia Militar do Alto Uruguai foi o primeiro grande núcleo institucional de ocupação implantado pelo Estado brasileiro naquela área e funcionou como ponto de partida para um processo que, ao longo de mais de um século, envolveu abertura de estradas, ocupação agrícola, imigração, formação de comunidades, criação de distritos e emancipações municipais.
    A antiga Colônia Militar, portanto, deve ser entendida não apenas como uma instalação militar do período imperial, mas como um marco fundador do processo histórico de ocupação e organização territorial do noroeste gaúcho, cuja herança permanece visível tanto em Três Passos quanto em Tiradentes do Sul.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Clique aqui para ver o antigo cemitério  da Colônia Militar do Alto Uruguai (ainda em compilação).
Clique aqui para ver o novo cemitério  da Colônia Militar do Alto Uruguai (ainda em compilação).
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte:
Schneider, Eduardo Daniel. [Nome da publicação] Blog Memórias do Povo Rio-grandense, disponível em: https://eduardodanielschneider.blogspot.com/ Acessado em: [data do acesso]

Valorize esse trabalho!

Referências:

BRÜGGEMANN, Adelson André. A sentinela isolada: o cotidiano da Colônia Militar do Alto Uruguai – 1879-1913. 2013. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013. Disponível em: https://tede2.pucrs.br/tede2/bitstream/tede/2490/1/388943.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

ESPERANÇA DO SUL (Município). Plano Municipal de Educação. Esperança do Sul: Prefeitura Municipal, 2019. Disponível em: https://sitearquivosbr.s3-sa-east-1.amazonaws.com/1200/Conteudos/4813/83r8u0ihqvl7rhdhjx6p_PLANOMUNICIPALDEEDUCACAOAlteradoem2019.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Três Passos: Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: IBGE, 1959. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/biblioteca/visualizacao/dtb/riograndedosul/trespassos.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Turismo. Tiradentes do Sul. Porto Alegre: Governo do Estado do Rio Grande do Sul, 2026. Disponível em: https://www.turismo.rs.gov.br/turismo/municipio/visualizar/282. Acesso em: 23 ago. 2026.

TRÊS PASSOS (Município). Prefeitura Municipal. História de Três Passos. Três Passos: Prefeitura Municipal, 2012. Disponível em: https://www.trespassos.rs.gov.br/novo/artigos.php?id=5. Acesso em: 23 ago. 2026.

TRÊS PASSOS (Município). Câmara Municipal de Vereadores. História do município. Três Passos: Câmara Municipal de Vereadores, 2018. Atualizado em 8 ago. 2025. Disponível em: https://www.trespassos.rs.leg.br/institucional/historia-do-municipio-1. Acesso em: 23 ago. 2026.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Localização e caracterização do município de Três Passos. Porto Alegre: UFRGS, 2013. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/87405/000908190.pdf. Acesso em: 23 ago. 2026.

OPENAI. ChatGPT. [S. l.]: OpenAI, 2026. Disponível em: https://chatgpt.com/. Acesso em: 23 ago. 2026.

Caso você tenha qualquer colaboração, ela pode ser enviada para eduardodanielschneider@gmail.com, seu nome será posto como colaborador ao fim da postagem.
Fotos enviadas, caso usadas, serão referenciadas em seu nome.

Pesquise sua ascendência!