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| Antes de 1912, Augusto Pestana ao lado de imigrantes Fonte: Arquivo MADP em ACADESCA, 2015 |
Origens e formação histórica
A história do município de Augusto Pestana, situado na região Noroeste do Rio Grande do Sul, está relacionada ao processo de ocupação e colonização da região de Ijuí e da chamada Serra do Cadeado. Embora o início da colonização organizada seja geralmente associado ao ano de 1901, existem registros de moradores estabelecidos no atual território municipal desde o século XIX.
Segundo o histórico oficial da Prefeitura Municipal, a ocupação da região teve início por volta de 1870, quando a família Aires, depois de abrir uma picada na mata, estabeleceu-se no local que posteriormente passou a ser conhecido como Boca da Picada. Mais tarde, moradores de origem italiana também se fixaram na região. Em 1888, Pedro Nogara passou a residir no atual Alto Leal, antigamente denominado Formigueiro (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
Esses registros demonstram que a ocupação do território antecedeu a colonização alemã organizada. Entretanto, foi a partir do início do século XX que o povoamento se intensificou e adquiriu características de um processo sistemático de colonização.
Em 1901, o engenheiro Augusto Pestana, então chefe da Comissão de Terras da Colônia de Ijuí, ficou responsável pela medição das terras da região da Serra do Cadeado. A fertilidade do solo e a presença de extensas florestas com madeira de qualidade favoreceram a chegada e o estabelecimento de novos colonizadores (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
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| Foto de Augusto Pestana Fonte: reprodução da internet |
O nome Serra do Cadeado está relacionado a uma antiga fazenda existente na região. Em uma das passagens utilizadas por viajantes provenientes de Cruz Alta havia uma porteira fechada com um grande cadeado. Essa característica tornou-se uma referência para quem transitava pelo lugar e acabou dando origem à denominação Cadeado (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
Em setembro de 1901, chegaram à região famílias alemãs provenientes das chamadas Colônias Velhas do Rio Grande do Sul, especialmente de Montenegro, São Sebastião do Caí, Santa Cruz do Sul e Cachoeira. A partir desse momento, a colonização avançou rapidamente, com a abertura de áreas de mata para a implantação das propriedades rurais.
A agricultura tornou-se a principal base econômica das famílias. A fertilidade da chamada terra roxa favorecia diferentes culturas agrícolas e contribuiu para a permanência dos colonizadores. Ao mesmo tempo, a abertura de estradas e picadas, a construção das primeiras casas e a organização de escolas e igrejas permitiram que os núcleos populacionais se consolidassem.
A formação histórica de Augusto Pestana, portanto, resultou da participação de diferentes grupos. Famílias de origem portuguesa e italiana antecederam a colonização alemã, enquanto os colonizadores germânicos tiveram participação especialmente expressiva na organização econômica, religiosa, educacional e cultural da comunidade (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
Primeiros moradores
É importante distinguir os primeiros moradores do atual território municipal daqueles que posteriormente se estabeleceram na região da sede de Augusto Pestana.
De acordo com a Prefeitura Municipal, a família Aires já estava estabelecida por volta de 1870 na região da Boca da Picada. Em 1888, Pedro Nogara, de origem italiana, fixou-se na região do atual Alto Leal. Portugueses e italianos, portanto, precederam a chegada organizada dos colonizadores alemães (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
A colonização sistemática começou em 1901, após a medição das terras realizada sob responsabilidade do engenheiro Augusto Pestana. Em setembro daquele ano chegaram colonizadores alemães provenientes das Colônias Velhas. Essas famílias enfrentaram uma região ainda marcada pela presença de extensas florestas e pela reduzida infraestrutura, sendo necessário abrir caminhos, construir moradias e preparar as terras para a agricultura (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
A publicação Caminhos da História: Augusto Pestana em 145 anos de imigração, produzida pela Associação Comunitária Cadeado para o Desenvolvimento Cultural e Artístico (ACADESCA), permite complementar essa história com informações sobre algumas das famílias pioneiras.
A obra registra entre os colonizadores que chegaram em 29 de setembro de 1901 os nomes de Guilherme Hasse, Augusto Hasse, Reinoldo Schünemann e Guilherme Schünemann. Nos anos seguintes, outras famílias foram se estabelecendo em diferentes localidades do território (ACADESCA, 2015).
Um aspecto especialmente importante para a história da formação da sede é o registro da presença da família Schneider. Conforme Caminhos da História, Guilherme Richter, Miguel Schneider (clique aqui para ler mais) e seu filho Teodoro Schneider figuram entre os primeiros moradores da sede (ACADESCA, 2015).
Esse registro permite compreender que o povoamento ocorreu em diferentes etapas. Enquanto famílias como os Aires e Nogara representam uma ocupação mais antiga e dispersa pelo território, Miguel Schneider, seu filho Teodoro Schneider e Guilherme Richter estão relacionados diretamente aos primeiros tempos da ocupação do núcleo que posteriormente se transformaria na sede municipal.
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| Homenagem aos imigrantes portugueses |
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| Homenagem aos imigrantes alemães |
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| Homenagem aos imigrantes italianos |
A formação da comunidade não ocorreu de maneira imediata. Os primeiros habitantes enfrentaram dificuldades decorrentes do isolamento, da mata fechada e da inexistência de infraestrutura. A sobrevivência dependia essencialmente da agricultura, do trabalho familiar e da cooperação entre vizinhos.
A própria educação inicialmente era responsabilidade das famílias. Com o aumento da população, os moradores passaram a organizar escolas comunitárias, muitas vezes vinculadas às igrejas. Dessa forma, a vida comunitária foi progressivamente estruturada a partir da propriedade rural, da família, da escola e da religião.
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| Serraria José Lange Fonte: Museu Antropológico Dr. Pestana |
Religiosidade
A religiosidade teve papel fundamental na formação histórica e cultural de Augusto Pestana. Entre os colonizadores alemães, destacou-se especialmente a tradição evangélica luterana, enquanto o catolicismo também esteve presente e se fortaleceu com a organização das famílias e comunidades locais.
Segundo o histórico da Prefeitura Municipal, por volta de 1903 foi fundada a primeira comunidade evangélica, denominada Santíssima Trindade, no Rincão Seco. A religião evangélica era predominante entre os imigrantes alemães e, juntamente com a comunidade religiosa, surgiu também uma comunidade escolar (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
A estreita relação entre igreja e escola é uma característica importante desse período. Diante da ausência de uma ampla estrutura pública de ensino, as próprias comunidades organizavam a educação das crianças. Assim, o espaço religioso não servia apenas para os cultos, mas também contribuía para a alfabetização, a convivência entre as famílias e a preservação de costumes e valores culturais.
A trajetória da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) registra que os pioneiros organizaram a Comunidade Evangélica Santíssima Trindade, em Rincão Seco, e, poucos anos depois, surgiu outra importante comunidade religiosa. Em 1908, na Vila Cadeado, foi criada a Comunidade Evangélica Santo André, também acompanhada por uma escola particular (IECLB, 2025).
Posteriormente, as comunidades Santíssima Trindade e Santo André passaram a integrar uma estrutura religiosa comum. Em 1º de janeiro de 1923, ocorreu a constituição oficial da Paróquia Evangélica de Augusto Pestana. Ao longo das décadas seguintes, novas comunidades foram criadas, entre elas a Comunidade São Marcos e a Comunidade da Paz (IECLB, 2025).
O luteranismo deixou, dessa maneira, uma influência profunda na formação cultural do município. A organização comunitária, o ensino, os corais, as festas religiosas e a preservação de costumes dos descendentes dos imigrantes estiveram associados à atuação das comunidades evangélicas.
O catolicismo também teve participação relevante na formação religiosa local. A Paróquia São José foi criada em 9 de março de 1922, consolidando institucionalmente a presença católica na então Vila Dr. Pestana. O primeiro vigário foi o padre Francisco Burmann (ACADESCA, 2015).
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| Igreja matriz de Augusto Pestana/RS |
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| Homenagem da igreja católica ao Augusto Pestana 1922-1972 |
As comunidades católicas também se desenvolveram nas localidades rurais, frequentemente em torno de pequenas capelas construídas pelos próprios moradores. Assim como ocorria entre os luteranos, esses espaços ultrapassavam a função estritamente religiosa: eram locais de festas, reuniões, celebrações familiares e convivência social.
Por isso, a religiosidade deve ser compreendida como um dos elementos estruturantes da história de Augusto Pestana. Igrejas e comunidades religiosas contribuíram não apenas para a manutenção da fé, mas também para a educação, a solidariedade entre as famílias e a formação da identidade cultural do município.
Formação do Distrito de Dr. Pestana
Com o crescimento da população e a consolidação das propriedades rurais, o antigo núcleo da Serra do Cadeado adquiriu maior importância.
Após a emancipação de Ijuí, em 1912, a região passou a integrar aquele município. O núcleo recebeu a denominação de Dr. Pestana, em homenagem ao engenheiro Augusto Pestana, responsável pela organização e demarcação das terras da região no início do processo de colonização.
A antiga Serra do Cadeado transformava-se, assim, em um núcleo mais estruturado. A agricultura continuava sendo a principal atividade econômica, mas progressivamente surgiram estabelecimentos comerciais, escolas, igrejas e outros serviços necessários ao atendimento da população.
A organização comunitária foi decisiva nesse processo. As dificuldades de transporte e comunicação faziam com que muitas necessidades fossem solucionadas coletivamente. A construção de escolas, templos religiosos, estradas e outros espaços comunitários frequentemente dependia da colaboração direta dos moradores.
Ao longo das décadas seguintes, a Vila Dr. Pestana tornou-se um importante núcleo rural da região de Ijuí, criando gradualmente as condições econômicas, sociais e administrativas que posteriormente sustentariam o movimento pela emancipação.
Emancipação política
O desenvolvimento econômico e populacional fortaleceu, em meados do século XX, o desejo de autonomia administrativa. Moradores e lideranças locais passaram a defender a criação de um município independente.
O movimento emancipacionista ganhou força na década de 1960, quando foi organizada uma comissão destinada a conduzir o processo. Após a mobilização da comunidade e os procedimentos políticos necessários, ocorreu uma consulta à população para decidir sobre a emancipação.
O processo culminou na criação do município de Augusto Pestana em 1965. A instalação administrativa ocorreu no ano seguinte, em 1966, marco que também aparece representado nos símbolos oficiais do município. No brasão municipal constam as referências “1901, Cadeado – 1966 Augusto Pestana”, relacionando simbolicamente o início da colonização organizada à consolidação do município (AUGUSTO PESTANA, [s.d.]).
A escolha do nome Augusto Pestana preservou a homenagem ao engenheiro que havia desempenhado importante papel na demarcação e organização das terras da antiga Serra do Cadeado no começo do século XX.
Considerações finais
A história de Augusto Pestana não pode ser atribuída a um único grupo de colonizadores. O atual território municipal já possuía moradores antes do início da colonização sistemática em 1901. A presença da família Aires, por volta de 1870, e de Pedro Nogara, em 1888, demonstra a participação de moradores de ascendência portuguesa e italiana nos primeiros tempos da ocupação.
A partir de 1901, a chegada de famílias alemãs provenientes das Colônias Velhas intensificou o povoamento e marcou profundamente a formação econômica e cultural da região. A agricultura, baseada inicialmente no trabalho familiar, constituiu a principal atividade econômica, enquanto a cooperação entre os moradores permitiu a organização das primeiras escolas, igrejas e comunidades.
Nesse processo, algumas famílias estiveram diretamente relacionadas à formação da futura sede. Entre elas encontram-se Miguel Schneider e seu filho Teodoro Schneider, citados, juntamente com Guilherme Richter, como primeiros moradores da sede na obra Caminhos da História (ACADESCA, 2015).
A religião também ocupou posição de destaque. A criação da Comunidade Evangélica Santíssima Trindade nos primeiros anos do século XX, seguida pela Comunidade Santo André e pela organização da Paróquia Evangélica, demonstra a importância do luteranismo. Paralelamente, a organização da Paróquia Católica São José e das capelas das comunidades rurais evidencia a importância do catolicismo.
Dessa forma, a história de Augusto Pestana foi construída pela interação entre diferentes origens culturais e pela forte organização comunitária de seus moradores. Do antigo território conhecido como Serra do Cadeado surgiu o Distrito de Dr. Pestana e, posteriormente, o município de Augusto Pestana, cuja trajetória permanece marcada pela agricultura, pela religiosidade, pela educação e pela memória das famílias pioneiras.
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| Homenagem ao Augusto Pestana |
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Clique aqui para ver o levantamento parcial do cemitério de Augusto Pestana/RS (ainda em compilação)
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Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte:
Schneider, Eduardo Daniel. [Nome da publicação] Blog Memórias do Povo Rio-grandense, disponível em: https://eduardodanielschneider.blogspot.com/ Acessado em: [data do acesso]
Valorize esse trabalho!
REFERÊNCIAS:
ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA CADEADO PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL E ARTÍSTICO – ACADESCA. Caminhos da História: Augusto Pestana em 145 anos de imigração. Pesquisa e textos: Salete Vogt et al. Edição: Janis Loureiro. Augusto Pestana, RS: ACADESCA/Z Agência, 2015. 100 p. Disponível em: Scribd. Acesso em: 2 set. 2026.
AUGUSTO PESTANA (Município). Histórico. Augusto Pestana: Prefeitura Municipal, [s.d.]. Disponível em: site oficial da Prefeitura Municipal de Augusto Pestana. Acesso em: 2 set. 2026.
AUGUSTO PESTANA (Município). Plano Municipal de Educação: diagnóstico socioeconômico e educacional do Município de Augusto Pestana. Augusto Pestana: Prefeitura Municipal, [s.d.]. Disponível em: site oficial da Prefeitura Municipal de Augusto Pestana. Acesso em: 2 set. 2026.
AUGUSTO PESTANA (Município). Símbolos do Município. Augusto Pestana: Prefeitura Municipal, [s.d.]. Disponível em: site oficial da Prefeitura Municipal de Augusto Pestana. Acesso em: 2 set. 2026.
IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL – IECLB. Paróquia de Augusto Pestana: uma história de perseverança e amor. Revista Sínodo Planalto, 2025. Disponível em: Portal Luteranos. Acesso em: 2 set. 2026.
IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL – IECLB. Paróquia Augusto Pestana. Portal Luteranos, [s.d.]. Disponível em: Portal Luteranos. Acesso em: 2 set. 2026.
A elaboração e organização do texto histórico contou com o auxílio do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI (OPENAI, 2026).
OPENAI. ChatGPT. [S. l.]: OpenAI, 2026. Disponível em: https://chatgpt.com/. Acesso em: 23 ago. 2026.
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